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“Dormir Nu é Ecológico”, Vanessa Farquharson

Este é o livro mais hilariante que eu já li, devo começar por dizer. É sobre uma mulher – a fantástica Vanessa Farquharson, uma canadiana com passaporte britânico (logo, com um humor irremediavelmente subtil), que, após ver o filme “Uma Verdade Inconveniente”, de Al Gore – e os seus ursos polares virtuais a afogarem-se quando os icebergues em que eles vivem derretem -, decide começar um blog (que, por acaso, ainda está disponível – mas pouco actualizado – em www.greenasathistle.com) a contar a sua “aventura” de um ano. Basicamente, durante um ano, em cada dia, ela toma uma medida para tornar a sua vida mais ecológica. Isso passa de coisas tão simples como “Verificar a pressão dos pneus.” até coisas tão drásticas como “Tomar duche às escuras.”

Para perceberem melhor o quão bem-humorado é este livro, fica um pequeno excerto (que, após o ter avaliado, NÃO, NÃO TEM SPOILERS sobre a história quase inexistente do livro). :D

6 de Fevereiro, 343º Dia

Usar restos de acendalhas ou toros ecológicos na lareira

Ao fim dalguns meses sem cabo, confesso que já nem me lembro muito bem o que me levava a gostar tanto de ver televisão. Tenho  vagas reminiscências de ver mulheres vestidas com extremo bom gosto a pairar pelas respectivas cozinhas a exaltar as virtudes das máquinas de picar alho, a Tyra Banks a segurar sete fotografias enquanto dizia com ar solene: “Tenho oito mulheres deslumbrantes diante de mim” e pessoas obesas trajadas com T-shirts vermelhas ou azuis a expulsarem alguém da sua equipa por não ter conseguido perder peso suficiente no decorrer daquele episódio. Actualmente, nada disto me desperta qualquer interesse.

Este fim-de-semana, enquanto estava no chalé de um amigo – dum amigo que por acaso tem televisão por satélite, com mais de novecentos canais disponíveis – esforcei-me afincadamente por redescobrir o meu antigo vício, contudo, depois de passar por uma infinidade de programas, a única coisa capaz de prender a minha atenção foram as notícias, e essas, eu leio-as no jornal todas as manhãs. Foi então que, quando estava prestes a dar-me por vencida, ele surgiu diante dos meus olhos. A minha graça redentora. A luz ao fundo do túnel do horário nobre. Não se tratava do Entertainment Tonight, nem tão-pouco duma repetição do The Office. Não, era uma coisa muito mais ecológica – mais concretamente, The Fire Log Channel.

Ora esta, pensei eu – já era alguma coisa.

Em essência, um mero toro de lenha a arder sem cessar numa lareira, o conceito pareceu-me brilhantemente tão ridículo, tão contrário à alta tecnologia e, oh! tão irónico, que de imediato dei por mim transfigurada e me deixei ficar a assistir durante uns bons vinte minutos.

Entretanto, perguntei-me:

Quem será o responsável por esta lareira?

Haverá alguém para atiçar o fogo?

Quais serão os valores inerentes à produção do The Fire Log Channel?

Que espécie de madeira é utilizada?

Os toros tiveram de ser submetidos a audições?

Haverá mensagens subliminais a ser transmitidas através dos motivos das chamas?

Quem será o público-alvo? Os lenhadores? Os piromaníacos? Os lenhadores maníacos?

E será que estão a preparar outra série? Uma derradeira série Fire Log de arrasar?

O dia não acaba por aqui, mas já devem ter compreendido o mais importante. Muito sinceramente? SIM, EU RECOMENDO!


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O Bem Escrito é um blog sobre palavras. Frases, livros, letras de músicas, enfim, qualquer coisa escrita pode ser comentada aqui. Defino-me como um "comentador de palavras". Ou crítico, talvez fique melhor.

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