Hoje trago-vos… fado. Sim, fado, podem pasmar e assim. Alguns fados não são assim tão melancólicos e “lamechas” (foi o que já ouvi várias pessoas chamarem a fados). Eu aprecio fados, tenho de admitir. Especialmente os Deolinda, claro. Mas, hoje, trago uma música que, em situações normais, não seria um fado. Ou melhor, seria um fado, se fosse cantado por outra pessoa. Aqui vai.
Vida tão Estranha
São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama
Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado
A gente vive na mentira
Já não dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente
Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado
E, também, o vídeo desta música que já vamos ver ali à frente, está aqui.
Tenho de admitir, há poucas músicas que me ponham assim. Quando primeiro ouvi esta música (na banda sonora da telenovela Equador, na TVI), primeiro pensei que se adequava perfeitamente àquele estilo de inícios do século XX, mas depois – já depois de a série ter acabado -, vi o anúncio do concerto de Rodrigo Leão e da Cinema Ensemble, em Évora.
Interessado? Claro. A música tinha uma sonoridade muitíssimo parecida a uma das bandas sonoras que mais me marcam (noutra ocasião hei de falar dessa música). Mas a letra… pensemos bem.
A música é sobre pessoas mentirosas, sobre um coração partido. O homem que a mulher (o “sujeito” da música) amava já não a ama, e, assim, ela faz um fado – se pudermos chamar isso a esta música com uma sonoridade tão “diferente” – sobre como se sente. Simples, não? Mas a descrição desta música faz-nos pensar um pouco mais.
Pensar. Palavra interessante.
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